19/6/11
Corpus Christi: um Testemunho de Fé
Terminado o Carnaval, vivemos uma série de comemorações religiosas. Quarenta dias depois do Domingo de Páscoa é a quinta-feira da Ascensão do Senhor. Dez dias depois da Quinta-Feira Santa, há o domingo de Pentecostes. O domingo seguinte é o da Santíssima Trindade e na quinta-feira após, é a celebração do Corpus Christi, uma data comemorativa, criada pelo Papa Urbano IV, na Idade Média.
Falar hoje sobre tema da celebração de Corpus Christi, que se dará na quinta-feira próxima, é documentar aqui um testemunho de fé. Basta saber a origem deste dia santo para não termos dúvida de que a verdadeira fé não está no exterior. Está, sim, no âmago do coração de cada um. Não se explica pela razão; explica-se, sim, pela certeza da existência de algo que não vemos, mas se encontra vivo dentro de nós.
A celebração de Corpus Christi teve sua origem a partir da crença de um milagre. O sacerdote tcheco – Pedro de Praga - fazia a sua peregrinação em direção a Roma, quando parou para pernoitar na Igreja de Santa Catarina, em Bolsena. Na manhã seguinte, ao dar início à celebração de uma Missa, entranhou-se em seu coração uma dúvida: se Jesus estaria mesmo presente na Eucaristia. Percebendo que este sentimento povoava fortemente o seu espírito, rogou a Jesus que lhe desse provas de sua existência na Eucaristia. Como crer que no pão e no vinho, estavam o corpo e o sangue de Cristo? Então, no momento em que erguia a hóstia, esta começou a sangrar. Assustado, o sacerdote embrulhou-a e avisou a todos o que estava acontecendo.
O fato foi informado ao Papa Urbano IV. O Papa, então, enviou um bispo para se certificar do acontecido. O bispo viu o sangue na hóstia, no chão e na toalha branca do altar. Recolheu tudo e, com o milagre nas mãos, foi mostrá-lo ao Papa. O Papa, no entanto, aflito, resolveu ir ter com o bispo. As diligências se encontraram e o Papa desceu de sua carruagem. Ao ver o que seriam as provas do milagre, ajoelhou-se no chão, dobrou-se sobre aquela hóstia sagrada e exclamou: “Corpus Christi!”. A partir daí, Urbano IV tornou universal a celebração.
No Brasil, a festa passou a integrar o calendário religioso de Brasília, em 1961. A confecção de tapetes de rua com folhas e flores é uma manifestação de arte popular brasileira e foi trazida para nós pelos imigrantes açorianos. O barroco enriqueceu esta festa com todas as suas características de pompa, já que a tradição de enfeitar as ruas surgiu em Ouro Preto, cidade histórica do interior de Minas Gerais. Os tapetes, trabalhados nas ruas com areia, borra de café, flores, pedras e uma infinidade de outros materiais, enfeitam de alegria e de solidariedade esta festa de cores, de música, de expressão de nobreza e de fé.
Lembremo-nos: o Papa Urbano IV não viu o milagre acontecer, mas acreditou. Acreditou na presença de Cristo, em corpo e sangue, na Eucaristia. Um verdadeiro testemunho de Fé. Diz o Rabino David Wolpe, que “A fé não é saber qual é o mistério do universo, mas sim a convicção de que existe um mistério e que ele é maior do que nós.”. E o poeta indiano, Tagore, afirma que “Fé é o pássaro que sente a luz e canta quando a madrugada ainda é escura”.
Tenhamos fé e vivamos intensamente o brilho do espírito na próxima quinta-feira, dia de “Corpus Christi”.
Fonte: www.osaogoncalo.com.br
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